Sobre o surto de febre amarela no Brasil

Desde o começo de 2018, o Brasil tem visto grande comoção em razão do surto de febre amarela. Em São Paulo, a espera para tomar uma dose da vacina chega a 15 horas e estados como Rio de Janeiro e Goiás já contam dezenas de mortos.

Em São Paulo, as ocorrências iniciais da doença foram identificadas no Parque do Jaraguá, assim como em outros parques da zona norte paulistana. As áreas urbanas não são afetadas por febre amarela há décadas, no entanto, se a situação nas matas sair do controle das autoridades, os mosquitos Aedes aegypti, tão comuns na cidade, podem ser tornar transmissores do vírus.

O que é a febre amarela?

É uma doença infecciosa viral transmitida por picada de mosquitos infectados, podendo afetar seres humanos e outros animais.

Sintomas

Os principais sintomas são febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço, náuseas e vômitos. Os casos mais graves incluem icterícia e falência do fígado e rins, podendo levar o paciente à morte.

Tipos

A febre amarela pode ser de dois tipos: silvestre, quando transmitida por picada de mosquitos que vivem nas matas, e urbana, quando a transmissão ocorre nas cidades.

No tipo silvestre, a transmissão ocorre entre mosquitos e animais, principalmente macacos. Seres humanos podem ser infectados por picada de mosquito em locais próximos às matas.

Quando é urbana, o principal mosquito envolvido no ciclo de transmissão é o Aedes aegypti (sim, o mesmo que transmite dengue). Desde 1942 não são registrados episódios de febre amarela urbana no Brasil, apenas casos atribuídos a picadas de mosquitos silvestres.

Tratamento

Não existe tratamento específico para eliminar o vírus da febre amarela. O encaminhamento médico consiste em manter as condições vitais do paciente (por vezes até em UTI) até a recuperação espontânea. Febre amarela é doença grave e pode levar a pessoa à morte, portanto, vacine-se.

Vacina

A vacina contra febre amarela é eficaz. No Brasil, há uma extensa área de recomendação para vacinação contra febre amarela, incluindo o Distrito Federal e vários Estados (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Maranhão e Minas Gerais), bem como parte dos estados da Bahia, Piauí, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Para o Estado de São Paulo está recomendada a imunização para residentes e pessoas que se dirijam especialmente para áreas ribeirinhas e de mata dos municípios da região de Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Araçatuba, Jales, São José do Rio Preto, Barretos, Franca, Ribeirão Preto, Araraquara, Bauru, Marília, Assis, Botucatu, Itapeva, São João da Boa Vista e parte da região de Sorocaba.

Quem pode tomar a vacina?

A vacina deve ser aplicada no mínimo 10 dias antes da viagem, sobretudo para quem se dirige a regiões silvestres, rurais ou de mata. É indicada a partir dos nove meses de idade, com a administração de dose de reforço aos quatro anos. Além disso, é indicado reforço a cada dez anos.

Cuidados

A vacina é contraindicada para gestantes e para mulheres amamentando crianças até seis meses de idade. A aplicação deverá ser avaliada por médicos para pessoas com 60 anos ou mais e pacientes com imunodeficiência ou outras patologias.

O Ministério da Saúde orienta que, ao viajar para área de risco sem ter sido vacinado, deve-se evitar o acesso a áreas silvestres ou usar roupas que protejam as áreas expostas do corpo – principalmente braços e pernas – e usar repelente.